Carlos Paião - Deixou-nos há 25 anos

Publicado por Espaço Aberto | quarta-feira, 4 de Setembro de 2013

PORTAL DA BAJOUCA

Fez no dia 26 de Agosto, 25 anos, que Carlos Paião nos deixou, vítima de um acidente quando se dirigia para um espetáculo na região de Leiria.

Ainda o País não estava refeito de outra trágica noticia, o incêndio no Chiado, no dia anterior e recebíamos incrédulos a notícia da morte de Carlos paião. Calava-se para sempre uma das figuras mais marcantes da música Portuguesa do século XX.

Foram muitas e variadas as reações que logo surgiram nos mais variados quadrantes. O seu maior amigo de sempre, António Sala, profetizava na manhã seguinte no seu programa "Despertar", na Rádio Renascença: "A música Portuguesa nunca mais será a mesma...!"

Tive a sorte de conhecer Carlos Paião, no ano de 1985, Ano Internacional da Juventude. Fazia parte do grupo de Jovens da Bajouca, que na altura para além de outros projetos, tentava angariar fundos para comprar cadeiras para o nosso salão paroquial.

Carlos Paião, foi um dos que se disponibilizou quase de uma forma gratuita para com um espetáculo seu ajudar a concretizar este objetivo. E em Abril, de 1985 realizou no nosso salão paroquial, um espetáculo memorável. Com o salão repleto cantamos em coro as suas canções que já na altura andavam de boca em boca.

No final teve um gesto que jamais esqueceremos. Depois de tudo arrumado chamou os técnicos de luz e som e os jovens que tinham ajudado na organização do espetáculo e ali á frente de todos distribuiu nota por nota, aos técnicos o valor que tinha ficado combinado dar pelas despesas com a parte técnica. Para ele não quis nada.! Convidou a todos para um café e durante longo tempo conversámos sobre a música portuguesa da época e sobre os problemas e desafios que se colocavam aos jovens de então.

Carlos Paião voltaria à Bajouca, em 15 de Agosto de 1987, para um grande espetáculo nas nossas festas de Stº Aleixo, exatamente 1 ano e 11 dias antes da sua morte.

A sua imagem ficará para sempre ligada à nossa freguesia, pelos dois espetáculos aqui realizados mas também pelo apoio e incentivo que sempre nos deu quando contactámos com ele. Guardo religiosamente as duas cartas, que me escreveu na altura e onde elogia o esforço e o trabalho de quantos se empenham nas suas comunidades.

Na manhã seguinte à sua morte na Rádio Renascença, António sala dizia: " Muitos quarteis de bombeiros, igrejas, centros sociais e tantas outras obras por esse país fora têm um pedacinho deste homem".

Passados 25 anos, fica a saudade.uma grande saudade de quem teve o privilégio de contactar de muito perto com ele.

Fica o seu legado através das suas músicas e canções que hoje e com muito gosto continuamos a ouvir e a cantar mesmo aos mais jovens que não o conheceram.

Fica também e infelizmente a profecia de António Sala, na manhã do dia 27 de Agosto de 1988. "A música portuguesa, nunca mais será a mesma...!"

E assim tem sido. A música portuguesa nunca mais se encontrou...!


Arménio Pedrosa

 
 

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